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Criar em Angola exige uma visão própria

JOURNAL

Por: Juacira Sidney
Diretora Criativa, JS Design Studio
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É fácil reconhecer um espaço inspirado numa referência internacional. Mais difícil é perceber o que essa referência ganha quando encontra a vida real de quem vai ocupar o espaço.
Num restaurante, isso pode estar na forma como as pessoas chegam, se encontram e permanecem. Num escritório, na relação entre concentração, colaboração e privacidade. Num hotel, na primeira impressão que fica da cidade.
Cada projeto pede respostas diferentes, porque cada lugar e cada negócio têm uma história própria.
“Fazer sentir África, sem precisar de a mostrar literalmente.”
Para mim, criar em Angola implica olhar com atenção para essa história e para as condições em que o projeto será construído.
Uma ideia pode ser visualmente forte e ainda assim precisar de ser revista quando encontramos o material, a técnica ou o modo de execução mais adequado.
Esse trabalho não diminui o conceito. Dá-lhe consistência.
Também acredito que a identidade de um espaço pode ser sentida sem ser explicada à primeira vista. Está nas proporções, na matéria, na atmosfera e na maneira como tudo se relaciona. É nessa direção que procuro trabalhar: fazer sentir África, sem precisar de a mostrar literalmente.Temos oportunidade de criar espaços que contribuam para uma imagem mais rica e contemporânea de Angola. Para isso, precisamos de observar melhor o que já existe, questionar o que repetimos por hábito e dar forma a ideias que façam sentido aqui.